20 maio 2008

Conto 1

Olá.
Estou sem muitas idéias para textos e por isso não posto a um tempo. Mesmo assim, não gostaria de deixar o blog mofando. Dessa forma resolvi postar um conto que escrevi a algum tempo e que mandei pro Bitlings. Chama-se "O Último" e espero que gostem.

O Último

Cleysson Armando prosseguia em sua jornada desbravadora com somente um pensamento: “Que fome!”. Continuava então por caminhos nunca antes atravessados. Seguia admirado e se lamentando pela infinidade do mundo que o cercava. A melancolia que s e abatera sobre o rapaz era visível em seus olhos sempre arregalados. Não conhecera nem uma pequena fração dos lugares que pretendeu um dia em sua curta vida. Um jovem rapaz e já com sonhos despedaçados.

“Comida!”. E saciou sua fome.

Percebeu agora que estava perdido. Não sabia onde estava e tão pouco aonde iria. A imensidão de seu caminho era fascinante. Fascinante e assustadora. Assustadora a tal ponto de se perder numa jornada corriqueira. Corriqueira? Ele nunca tinha estado ali antes, ou pelo menos não se lembrava. Estava com muito medo. Mas logo disso se esqueceu e agora se ocupara com somente um pensamento: “Que fome!”. E assim ao desconhecido Cleysson rumou.

Negro! O mundo inteiro agora estava negro. A única luz era a da Lua. Tão brilhando. Tão brilhante e prateada. Arrependeu-se por nunca ter percebido algo tão perfeito, tão belo. Pensou inclusive em escrever uma poesia sobre aquilo que agora presenciara, mas isso seria mais tarde.

“Comida!”. Agora a fome não mais o atormentava.

Seguia determinado agora. Progredia com a maior velocidade que podia e assim, seus olhos como sempre nem piscavam. Não saberia em que lugar se encontrava e tampouco o motivo de estar naquele local; porém independente disso continuaria. Estava chateado com isso tudo. Estava tão bravo a ponto de morder quem aparecesse em seu caminho. Chateado, bravo, morder. Estava tomado por um frenesi. Estava insano, louco e agora com somente um pensamento: “Que fome!”.

Não mais a lembrança da Lua estava em sua cabeça. As poesias não mais existiam para ele. Nada agora era belo, tudo era desconhecido, assustadoramente desconhecido. Por que essas coisas acontecem com ele? Perdido, perdido, perdido. Nada nem ninguém seriam capazes de justificar isso.

“Comida!”. E o sangue escorreu pelos cacos de seus pensamentos despedaçados. Não, os cacos nada tinham haver com aquele frio sangue.

“O que é isso na minha boca?”. Pensou.

O sangue escorria por sua face depois que um anzol perfurou seu maxilar superior e assim Cleysson Armando foi pescado. O desmemoriado foi o último peixe da Lagoa do Maza e foi fisgado enquanto realizava o primeiro, último e único desejo de sua vida.

...

Até!

2 Comments:

Blogger Tiago Cau said...

Ota!

loco


ota!


El Ota Loco!

5:04 PM  
Blogger Hermila said...

final surpreendente
gostei.

9:21 PM  

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